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Ter, Ago

Cidadania e justiça para combater a insegurança na velhice

Idosas almoçam em instituição: necessidade de criação de redes de proteção social e econômica voltadas para os mais velhos — Foto: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/60/Tavshe6.JPG

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Idosos precisam de programas especiais para garantir seus direitos

“O que torna uma vida boa na velhice? Cidadania e justiça em sociedades que estão envelhecendo” (“What makes a good life in late life? Citizenship and justice in aging societies”) é um amplo estudo realizado ao longo de dois anos por pesquisadores ligados ao The Hastings Center. Embora retrate a sociedade norte-americana, seus fundamentos podem servir para qualquer país que, como o Brasil, ainda está longe de ter políticas públicas estruturadas para proteger os idosos.

Nos Estados Unidos, uma em cada cinco pessoas terá mais de 65 anos em 2035. No Brasil, o número de idosos já ultrapassou a marca de 30 milhões e, em 2031, a previsão é de que o total de velhos supere o de crianças e adolescentes até 14 anos. Recentemente, a “Folha de S.Paulo” publicou reportagem mostrando que a profissão de cuidador de idosos é a que mais cresceu no país nos últimos dez anos: eram cerca de 5 mil em 2007 e, em 2017, 34 mil.

Algumas perguntas nortearam a pesquisa, tais como: como proporcionar qualidade de vida a pessoas mais velhas com doenças crônicas e recursos limitados? De que tipo de serviços esses idosos precisam para viver com dignidade? Como estabelecer prioridades e fazer os investimentos necessários para atender a essas demandas? Como ficam os direitos de cuidadores, familiares ou profissionais numa sociedade que está envelhecendo? Que tipo de perspectivas devemos ter em relação a políticas envolvendo o fim da vida que não se limitem a decisões tomadas por profissionais da saúde?

No ensaio “Envelhecimento precário: insegurança e risco na velhice” (“Precarious aging: insecurity and risk in late life”), que integra o estudo, Amanda Grenier e Christopher Phillipson abordam uma questão que também ocorre por aqui: a representação, feita pelos meios de comunicação, de uma velhice saudável e próspera que não corresponde à realidade. É verdade a geração que está na casa dos 60 e 70 teve mais oportunidades que a de seus pais e avós, mas a desigualdade persiste e seu efeito cumulativo está criando grupos de idosos que viverão mais, mas em situação de grande precariedade. Há urgência na criação de redes de proteção social e econômica voltadas para este segmento, ou crescerá o risco de assistirmos a uma escalada de casos de abandono e todo tipo de abuso contra os mais velhos. Países ricos como os EUA, Canadá e Austrália têm visto crescer o número de velhos sem-teto. Trata-se de uma questão moral que não pode desaparecer do horizonte ético da sociedade.

No entanto, não há apenas notícias ruins. A Sociedade Americana de Geriatria (American Geriatrics Society) criou um programa voltado para o treinamento de lideranças na área geriátrica. Chama-se Elia (Emerging Leaders in Aging) e seu objetivo é praticamente fazer uma revolução: dar prioridade ao cuidado focado no paciente, para garantir sua independência, autonomia e qualidade de vida. Tudo o que queremos preservar no envelhecimento.

 

 

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