Escolas do Alto Tietê estão paralisadas em protesto a bloqueio de verbas na educação

Professores fazem passeata na Rua General Francisco Glicério em Suzano — Foto: Carolina Paes/ TV Diário

Ação atinge unidades em várias cidades. Movimento acontece em todo o Brasil nesta quarta-feira.

Nesta quarta-feira (15), cidades do Alto Tietê têm escolas paralisadas em protesto ao bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo MEC. Mogi das Cruzes e Suzano têm manifestações. Em Suzano, as ruas da região central chegaram a ser bloqueadas por causa de uma passeata.

Entidades ligadas a movimentos estudantis, sociais e a partidos políticos e sindicatos convocaram a população para uma greve de um dia contra as medidas na educação anunciadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, em todo o Alto Tietê são 170.352 alunos distribuídos em 218 escolas.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) informou que, em Mogi das Cruzes, das 78 escolas estaduais, 23 estão 100% paradas.

A subsede de Mogi também é responsável por Salesópolis, Biritiba Mirim e Guararema.

Segundo a entidade, em Biritiba Mirim as 3 escolas estaduais da cidade tem unidades com 70%, 45% e 30% paradas.

Em Guararema das 6 escolas estaduais, a Apeoesp estima que a paralisação está em 60%.

Em Mogi das Cruzes, os professores se reuniram no Largo do Rosário. Eles abordaram quem passava pelo local para explicar os impactos que o bloqueio deve causar nas universidades federais.

Segundo a Apeoesp, cerca de 300 pessoas foram abordadas durante esse trabalho de conscientização.

Já em Itaquaquecetuba, a Apeoesp afirmou que 90%, das escolas da rede estadual e 40% da rede municipal aderiram ao movimento.

A Apeoesp informou ainda que nas escolas estaduais de Suzano a adesão é de 80%.

Em algumas cidades, como Mogi das Cruzes e Suzano, o sindicato programa manifestações na manhã desta quarta-feira.

Em Suzano, os professores da rede estadual e do campus do Instituto Federal se reuniram na Praça dos Expedicionários.

Em seguida, eles saíram da praça e fazem uma passeata pela região central da cidade.

Por conta do protesto, o trânsito está impedido em algumas ruas, durante a passagem dos professores.

Entenda o bloqueio
Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhões, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades.

Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir.

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