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Ter, Ago

Após saída de banco e queda na arrecadação de até 40%, Poá ainda prepara estudo detalhado de redução do orçamento

Prefeitura de Poá vai ter redução de até 40% na arrecadação mensal — Foto: Reprodução/TV Diário

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Saída do banco Itaú do município vai reduzir arrecadação em até 40%. Secretário de Finanças da cidade disse que áreas como educação e saúde devem ser afetadas.

Setembro será o primeiro mês em que a arrecadação da Prefeitura de Poá não contará com os R$ 15 milhões provenientes do recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS) de um banco que estava instalado na cidade.

A saída do Itau do município na primeira semana de julho já vai reduzir o valor recebido em agosto, quando o pagamento será proporcional. Ainda assim, a cidade ainda prepara um plano de redução de despesas.

Robson Senziali é secretário municipal de Finanças de Poá e conta que a pasta deverá se reunir com o prefeito Gian Lopes para definir as prioridades do governo e então fazer uma recomposição do orçamento.

"Estamos nos preparando para uma possibilidade de readequação, estamos na fase de estudo e preparação dos ajustes. Mas o jurídico ainda está trabalhando para reverter essa situação e tentar que o Itaú permaneça em Poá até pelo menos o fim deste ano, porque seria uma forma de adequarmos as despesas", afirma.

A Lei de Diretrizes Orçamentária da cidade para 2019 foi fechada em cima do orçamento de R$ 480 milhões, sendo uma arrecadação mensal em torno de R$ 39 milhões, dos quais R$ 15 milhões viriam do Itaú.

"Como o nosso orçamento é destinado sobretudo às áreas de saúde e educação, então elas também serão afetadas com a redução de recursos, assim como segurança e área social", explica o secretário.

Uma das preocupações da cidade é com a manutenção dos serviços do Hospital Municipal Guido Guida.

O titular da pasta diz que a Prefeitura deve buscar recursos junto ao Governo Federal e já mantém contato com o governador João Doria para manter o serviço.

Nesta segunda-feira (12), a Prefeitura de Poá informou que deverá se reunir nesta semana com o governador João Doria e o Banco Itaú para tratar da situação da cidade.

Vai e vem
Essa não é a primeira vez que Poá fica sem o recolhimento do ISS. Em 2017,o Congresso Nacional mudou a forma de recolhimento do tributo, passando de onde a empresa tem sede para ser cobrado no local de prestação do serviço.

Na época, a Prefeitura anunciou redução de secretarias e demissão de funcionários comissionados, e chegou a divulgar que não teria recursos para manter o Hospital Guido Guida.

Em março de 2018, a cidade conseguiu uma liminar na Justiça para manter a arrecadação.

Agora, o escritório que o banco mantinha na cidade foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de São Paulo, que apura fraudes e sonegação fiscais de leasing, factoring e franchinsing que atuam na cidade.

De acordo com os indícios apontados na investigação, o Banco Itaú Leasing estava na lista de empresas investigadas com suspeita de sonegação tributária, ou seja, simulação de endereços.

Por conta disso, foi firmado um acordo no início de maio e estipulou o prazo de até 180 dias para o fechamento dos escritórios.

O banco informou que transferiu as suas atividades para São Paulo após o acordo realizado com a CPI e que atuava há mais de 30 anos em Poá.

Em julho, logo após a transferência das operações, o Itaú ainda informou que “as operações das empresas do grupo em Poá sempre estiveram devidamente sediadas na cidade com estrutura de pessoal, espaço físico e tecnologia compatíveis com as atividades realizadas. O Itaú Unibanco seguirá apoiando a cidade de Poá e vem discutindo com os seus representantes a melhor forma de fazê-lo, considerando, especialmente, as circunstâncias ocasionadas pelo acordo firmado em São Paulo.”

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