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Seg, Mar

Corpos de pai, filho e sobrinho vítimas de raio em Arujá são sepultados em cemitério da cidade

Corpos de pai, filho e sobrinho vítimas de raio foram sepultados no Cemitério Municipal II de Arujá. — Foto: Reprodução/TV Diário

Arujá

Parentes e amigos foram até o velório prestar as homenagens e depois ao enterro para a despedida dos três no Cemitério Municipal II.

Os corpos de pai, filho e sobrinho que morreram após a casa de madeira que estavam construindo ser atingida por um raio, em Arujá, foram sepultados nesta quinta-feira (7) no Cemitério Municipal II, na cidade.

Mais cedo, amigos e parentes foram se despedir das vítimas da tragédia. Os corpos de João Batista Alves dos Santos, de 40 anos, do filho dele João Pedro dos Santos, de 10 anos, e do sobrinho Alan dos Santos, de 12 anos, foram velados no Velório Municipal de Arujá.

Eles morreram na casa de madeira que João construía no Parque Rodrigo Barreto. As crianças, que estavam brincando embaixo, correram para dentro da casa para se abrigar. Foi no momento em que um raio caiu.

O músico João Batista morreu carbonizado. O terreno, segundo a Prefeitura, é particular e a área invadida. A parte de cima da casa pegou fogo. Os vizinhos escutaram o barulho e tentaram salvar as crianças.

A mãe de João Pedro estava traumatizada. "É muito difícil. É uma dor inexplicável, enterrar o filho seu. Ele estava de companhia do pai dele. Tinha ido em casa um dia antes e disse que me amava muito. Neste dia, minha filha almoçou em casa, eu pedi para ela levar strogonoff para ele, mas não deu nem tempo. Nunca mais eu vou ver o meu filho cantando", disse Domitila dos Santos.

Depois da separação da ex-esposa há cerca de um ano, João Batista passava por um momento de reconstrução. A meta era construir a casa própria para ficar com os filhos.

"Se foi da vontade de Deus, eu não tenho nada para falar, não deu para fazer nada", diz o irmão de Alan, Wallace Soares dos Santos.

Perigos do raio
O professor de eletroeletrônica Faustino Hiroshi Nakagawa explica que a casa era o ponto principal no local descampado.

“A casa era construída em um lugar alto que era o ponto mais próximo da nuvem. Nesse momento havia chuva, que faz com que todo o material fique mais condutível aos raios. Possivelmente havia materiais metálicos que facilitaram a condução do raio. A intensidade do raio na hora da descarga é uma fração de segundo. Equivale ao consumo de energia elétrica de uma casa em um mês que é descarregado em meio segundo.”

Nakagawa alerta ainda que é preciso procurar abrigo durante tempestades em áreas abertas. É importante se dirigir para locais cobertos, como escolas, comércios e casas. “Debaixo de árvores, barracas ou tendas nem pensar em se abrigar durante chuva.” Praias e piscinas devem ser evitadas durante tempestades.

Números na região
O Grupo de Eletricidade Atmosférica tem o registro de mortes por raios desde o ano 2000 e estas três foram as primeiras mortes nestes últimos 19 anos em Arujá.

Somando estas, desde 2000 a região já soma 20 pessoas mortas por queda de raios. A cidade com o maior número de mortes é Mogi das Cruzes, com seis óbitos por raios.

Itaquaquecetuba neste tempo todo só teve uma morte, mas é a terceira cidade do estado e a primeira da região em incidência de queda de raios, com uma concentração de 15 raios por quilômetro quadrado por ano.

Arujá aparece em vigésimo sétimo lugar no estado com 10 raios por quilômetro quadrado ao longo do ano.

Moradia irregular
A Prefeitura de Arujá informou que como o terreno onde estava a casa atingida pelo raio é de propriedade particular cabe ao dono a reintegração da posse. Mas que o local em questão não é considerado como área de risco e que só possui gerência efetiva se a área invadida for pública.

 

Morador estava construindo casa em Arujá e pretendia se mudar nesta semana, mas morreu após queda de raio; raio cai e três morrem em Arujá — Foto: Reprodução/TV Diário

Com base nisso, o Diário TV quis abordar com a Prefeitura o problema da falta de moradias populares na cidade para ajudar pessoas como esta família vitimada pelo raio a encontrarem um local apropriado para viver.

Foi pedido um entrevistado para falar sobre o que é feito pra diminuir o deficit habitacional. A assessoria informou que o responsável pelo assunto está fora da cidade e que não há hoje um levantamento da quantidade de famílias que precisem de um programa habitacional.

Diz em nota porém que possui um pedido de construção de 3 mil unidades na CDHU ainda em análise, mas que chegou a entregar 392 moradias para famílias que viviam em áreas de risco na região do Jardim Emília.

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